Mesa de debate do Fica aborda soluções locais para a Agenda 2030

Desafios e oportunidades de aprimoramento para questões de sustentabilidade econômica e ambiental foram principais pontos debatidos

Preservação, conservação e engajamento foram as palavras-chaves da mesa sobre Meio Ambiente e Sustentabilidade realizada, ao vivo, na noite desta quinta-feira (19/11) no canal da Secretaria de Estado de Cultura (Secult Goiás) no YouTube. Atividade integra a programação do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica 2020), realizado de forma 100% remota desde a última segunda-feira (16). A mostra se estende até o próximo sábado (21).     

“Agenda 2030: Soluções Locais” foi o tema central debatido entre a geógrafa Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o professor doutor Bráulio Dias, presidente do conselho global da Birdlife International, e Andréa Vulcanis, procuradora federal e professora de Direito Ambiental, com diversos livros e artigos publicados.

Mediadora do debate e representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Goiás, Andrea Vulcanis pontuou a relevância da pauta ligada às políticas ambientais e o espaço que o Fica oportuniza neste aspecto, uma vez que, no Brasil, esse debate está em evidência diariamente.  “É um momento em que a nação precisa conjugar seus esforços e fazer um debate crítico sobre o que estamos realizando e como temos conduzindo (essa questão)”.

Bráulio Dias abordou os grandes desafios da aplicação dos pilares da Agenda 2030 no Brasil diante do atual cenário político. O professor, que possui extenso currículo ligado às causas ambientais, destacou as responsabilidades da pauta para todas as esferas: da executiva e pública à privada, perpassando pela sociedade civil organizada e alcançando o âmbito individual. “Cuidar do nosso meio ambiente é dever de todos. Está na nossa Constituição, no artigo 225”.

Segundo Bráulio Dias, cobrar e exigir ações sustentáveis do setor privado também é urgente e necessário, sendo, inclusive, uma das formas práticas de solução. “O setor produtivo precisa ser mais proativo", asseverou, reforçando que muitas das atuações privadas de proteção ao meio ambiente se dão após pressão social ou penalidades impostas pelos órgãos fiscalizadores. “Líderes e empresas têm entendido cada vez mais a importância da pauta ambiental, pois (se não o fizerem) ficam sem acesso a financiamentos. Esse é o custo da agenda anti-ambiental”.

Sempre destacando o aumento de casos de desmatamento ilegal na Amazônia e demais biomas brasileiros e o impacto gerado no clima mundial já em curto prazo, Ane Alencar defendeu que o Brasil se atenha à implantação e fiscalização das leis e normas já vigentes, para reduzir a burocracia e efetivar as medidas, por exemplo, do Código Florestal.  “Em vez de criar leis e leis, implantá-las”, frisou.

Ane Alencar fez a observação de que o Brasil está em um momento tão crucial para as questões ambientais, que, “quanto mais se combate a agenda ambiental, mais ela fica em evidência”. “Que consigamos colocar as questões de sustentabilidade ambiental no lugar que elas merecem, por sua relevância, junto das questões econômicas e sociais”, concluiu.

O debate completo pode ser conferido no canal da Secult Goiás no YouTube.

A agenda 2030 e os 17 itens

Em 2015, 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniram em uma Cúpula de Desenvolvimento Sustentável e lançaram uma nova agenda para orientar suas decisões a partir dali, o que originou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), resumidos em de 17 itens. 

São eles: Erradicação da pobreza; Fome zero e agricultura sustentável; Saúde e bem-estar; Educação de qualidade; Igualdade de gênero; Água potável e saneamento; Energia Limpa e acessível; Trabalho decente e crescimento econômico; Indústria, Inovação e Infraestrutura; Redução das desigualdades; Cidades e comunidades sustentáveis; Consumo e produção responsáveis; Ação contra a mudança global do clima; Vida na água; Vida terrestre; Paz, justiça e instituições eficazes; e Parcerias e meios de implementação.